O que fazer com esses sentimentos?

Uma diferença grande que notei desde que eu e polietc nos tornamos poli é com relação a como lidamos ou passamos a lidar com conexões que estabelecemos com outras pessoas. Como não sou nenhuma autoridade no assunto, vou falar aqui da minha visão muito particular sobre o assunto: comentários são muito bem-vindos.

Você já deve ter vivido uma situação assim: aquele momento em que você sente que foi tudo lindo, em que você olha para a pessoa e enxerga nela algo que nunca viu em mais ninguém, em que você sente vontade de ficar o tempo todo perto daquela pessoa. Se você pensar bem, você vai saber que aquilo vai passar, vai assentar e ou se revelar uma ilusão ou se transformar em algo mais sólido e mais realista. Mas, lá na hora, você não está pensando em nada disso, você só está sentindo e querendo sentir mais até que… será que devo? Será que é uma boa ideia mesmo?

E agora?

E agora????

Todos já ouvimos falar de diversas histórias em que as pessoas sentem medo de se aproximar demais de outras pessoas. Não é para menos: na lógica mononormativa (aquela que presume que uma pessoa deve se relacionar de maneira afetivo-sexual com exatamente uma outra pessoa), se você estabelece uma conexão afetivo-sexual com uma pessoa X, você está automaticamente vetado de estabelecer qualquer conexão com qualquer outra pessoa, a não ser que esteja disposta ou disposto a desfazer a primeira conexão. Se, mais complicado, você já possui uma conexão com uma outra pessoa Y, precisa agora escolher: desfaz a conexão com Y, cheia de defeitos mas pela qual você tem muito carinho, ou desiste da conexão com X antes que seja tarde demais e você acabe sacrificando ambas?

Antes de decidir, aprecie a vista!!!

Conforme vou deixando a mononormatividade de lado, minha mente fica gradualmente mais livre: ao estabelecer uma conexão com alguém, é muito mais fácil investir nela – não necessariamente essa conexão vai afetar seus outros relacionamentos e, se afetar, pode ser que seja para melhor! Dessa forma, hoje tenho bem mais facilidade em aproveitar o que cada pessoa, ou melhor, cada relacionamento tem a me oferecer, cada um com suas particularidades, suas belezas e maravilhas. Não importa mais tanto se esse relacionamento vai durar um dia, uma semana, um mês ou uma vida.

Não que medos e cuidados não existam ou devam deixar de existir: eles existem, mas são muito menos avassaladores que aqueles advindos da mononormatividade. Frustações também existem, mas como a pressão é aliviada por não ser a sua única (ou pretensamente única) conexão, elas também acabam não sendo tão destrutivas.
Importante dizer que não estou falando (apenas) de sexo. Aliás, acredito que, ao ter contato com as ideias de poliamor, mesmo casais que optem por continuar monogâmicos podem aprender com isso e se aproximar de outras pessoas sem tanto medo de se afastar da parceira ou parceiro. Afinal, acreditando nas premissas do poliamor (as que mencionei nesse post aqui), o medo de se tornar menos importante para sua pessoa especial ao se aproximar(em) de outras – mesmo que apenas em termos de amizade ou carinho – tende a diminuir.

Por essas e outras que sempre farei questão de divulgar a ideia de poliamor o máximo que possa. Acho que o mundo só tem a ganhar.

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