Por que tão longe?

Para quem mora fora do eixo Rio-São Paulo – onde estão as maiores comunidades poli – e/ou não criou sua própria rede em volta de si, os custos emocionais e financeiros de ser poliamorista são muito maiores (às vezes impeditivos de se sustentar um relacionamento da melhor forma).

Quando se relaciona ou há intenção de relacionar com alguém que more longe, o leap of faith (desconheço tradução que transmita a mesma ideia) é muito maior, nossa casa fica lá longe e, por algum tempo, as pessoas envolvidas ficam imersas nas suas próprias emoções e sentimentos, o que pode ser muito bom ou muito frustrante.

 

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Quando é frustrante – como tudo na vida – é que o custo financeiro pesa mais, é quando cada real gasto é questionado. Como uma amiga recentemente disse, tudo é aprendizado nesse processo de se envolver com outras pessoas, de desconstruir monogamia, de morar em um país gigantesco em que poliamor não é algo amplamente divulgado, portanto nem conhecido e nem praticado.

Quando é bom, depois fica um monte de saudade, mas uma saudade bem diferente do que a monogamia nos incute, porque não fica permeada por outros sentimentos como possessividade, ciúmes, controle. É uma saudade que às vezes deixa um vazio e a gente se perde nele. Também está permeado de coisas boas, dos contatos possíveis que hoje a internet propicia, de um monte de lembranças boas que confortam e tornam a saudade quase uma amiguinha, que chega a aconchegar nos momentos em que o vazio não toma conta de tudo.

Eventualmente, é uma saudade tão boa, permeada por tantas lembranças boas e elas acalentam os sentimentos ruins de uma tal forma que eles somem e ficam as sensações boas.

Cada possibilidade dessas é uma aprendizagem, é um processo, é um relacionamento diferente (ou um relacionamento vai ficando diferente, que muda com o tempo). Ainda assim, melhor seria se as pessoas que eu amo estivessem por perto.