Intimidade…

Intimidade é algo muito subjetivo… se tornar íntimo é algo tão particular, não tem como definir um único conceito para essa ideia, é muito exclusivo e próprio de cada ser. Para exemplificar, segue o conceito da palavra intimidade, retirado da Wikipedia:

“A definição intimidade é complexa uma vez que seus significados variam de relacionamento para relacionamento, e dentro de um mesmo relacionamento ao longo do tempo. Em alguns relacionamentos, a intimidade está ligada ao sexo e sentimentos de afeto podem estar conectados ou serem confundidos com sentimentos sexuais. Em outros relacionamentos, a intimidade tem mais a ver com momentos divididos pelos indivíduos do que interações sexuais. De qualquer forma, a intimidade está ligada com sentimentos de afeto entre parceiros em um relacionamento.”

 

Isso dá uma flexibilidade ao conceito de intimidade, que  torna difícil termos uma ideia exata do que seja. E quando o meu conceito de intimidade se encontra com o conceito de outras pessoas com quem pretendemos ter uma relação mais próxima, muitas vezes acontecem choques e estranhezas.

 

Para mim, intimidade tem a ver com não sentir vergonha, não ter medo de falar o que pensa ou sente. É gargalhar, falar alto, falar besteira, sem medo de incomodar o outro, pois sabe que esse te acolhe como você é. É poder demonstrar o que está sentindo, até o seu lado mais feio, sem medo de perder. Falar coisas que talvez chocassem outras pessoas, mas se sentir seguro pois confia no interlocutor. É não ter medo de parecer besta, ridículo, perverso, palhaço, preguiçoso, egoísta, entre outras coisas…

 

Além dessa intimidade afetiva/psicológica, para mim existe uma dimensão física também que faz parte desse processo: eu tenho uma tendência a incluir a pessoa no meu espaço físico de segurança, à medida que me torno íntima. E gosto de aproximação física. E começo a me sentir à vontade, e a me desnudar, literalmente, pois a intimidade da nudez pra mim é natural. E fazer coisas juntos, tipo, tomar banho, trocar de roupa, escovar os dentes, entre outras coisas. É normal, completamente natural pra mim, à medida que a intimidade vai aprofundando.

Ao lidar com a realidade do outro, muitas vezes esses conceitos se chocam. Para exemplificar, falarei aqui dos meus dois parceiros.

Quando me casei com meu primeiro companheiro, há dezessete anos, eu vinha de uma família de oito pessoas. Em nossa casa não havia muita privacidade. Então para eu compartilhar espaços como banheiro, quarto, cama, era algo comum, necessário até.

 

Meu companheiro já veio de uma família menor, onde cada um tinha direito a ter um determinado espaço, e não havia isso de compartilhar banheiro, por exemplo.

No início da nossa relação, passamos por situações engraçadas e trágicas ao mesmo tempo, para irmos nos adaptando e construindo a nossa intimidade.

 

Ele teve de acostumar com minha mania de andar pelada pela casa. Eu tive que acostumar com não entrar no banheiro quando ele está lá.

 

E assim foi até agora. Depois de tanto tempo, começo a conviver alguns dias da semana com um segundo companheiro. Aí as coisas foram mais complicadas.

 

Ele vem de uma criação evangélica. Isso fez com que a nudez que eu exibia com tanto orgulho o constrangesse, de certa forma, e a intimidade de tomar banho juntos também, para ele, era algo que acabava com o tesão, ao longo do tempo.

 

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Eu não concordo com ele. Estou com meu primeiro companheiro há 22 anos (contando com tudo), e nosso tesão tem se mantido em alta. Mas respeito a vontade dele, pois não posso impor minha noção de intimidade, à intimidade dele, já que é algo que o agride.

Porém, para mim, esse movimento de conter minha nudez e o compartilhar o banho, por exemplo, me faz retardar a construção da minha intimidade com ele. Eu me contenho um pouco. E isso é algo um pouco complicado pra mim. Eu entendo, mas não aceito, digamos.

 

Mas dentro de uma relação poliamorosa, precisamos ter sensibilidade para respeitar os limites de cada um, se queremos que funcione e todos se sintam bem. Não me fez mal a ponto de não poder atender esse pedido dele. Passa por uma vontade de agradar e ao mesmo tempo refletir sobre isso, o que eu posso ceder, o que o outro pode.

 

Agora estamos em processo de construção de uma intimidade nossa, vai levar tempo, por ser uma relação poli, diferente do como aconteceu com meu primeiro companheiro, que viveu comigo monogamicamente por muito tempo. Mas não é impossível e, a essa altura da vida, algo interessante para viver e refletir.

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