Do Poliamor e suas reticências, virgula e outros sinais possíveis…

Essa semana, após muitas conversas e várias reflexões, estive pensando sobre os relacionamentos afetivo-sexuais dentro de uma perspectiva poliamorista, e como isso pode ser traduzido, para mim, através da reflexão sobre minhas experiências e observando as histórias de pessoas próximas, tirando posteriormente minhas conclusões.

Tendo construído, ao longo da minha vida, uma história com meu parceiro de décadas, em que há muita cumplicidade, amizade, amor e tesão entre nós, não acho correto, não me sinto bem mesmo em não priorizar esse relacionamento em relação aos que de um ano para cá venho estabelecendo. Às vezes esses novos relacionamentos vêm com a força das paixões e, momentaneamente, me cegam, mas busco sempre, na medida do possível, ter cuidado com esse parceiro com quem tenho um relacionamento mais antigo, que sinto e quero que esteja comigo ainda por muito e muito tempo. E ele também tem esse mesmo cuidado comigo. 

Não é um tabu. Não é uma regra. Não estabelecemos isso verbalmente. Fazemos esse movimento de proteção do que construímos juntos quase que automaticamente. Isso não nos impede de viver intensamente essas novas histórias e de trazer essas novas pessoas para as nossas vidas. Só que temos uma sensibilidade, uma delicadeza em não magoar desnecessariamente um ao outro. Fomos fazendo isso de modo natural e tem dado certo. Estamos amando outras pessoas, e nos amando muito mais.

Apesar de para alguns isso parecer uma hierarquização de relacionamentos, não encaro dessa maneira. Acredito que tenha mais conexão com níveis de intimidade e cumplicidade construídos, que acabam por escalonar os relacionamentos, o que acontece até nas amizades nas quais não há envolvimento afetivo-sexual. Temos amigos íntimos e amigos que vemos esporadicamente… e nem por isso deixam de ser nossos amigos.

Valorizo a preservação de relacionamentos afetivos que são bons para todas as pessoas envolvidas, que funcionam bem e que têm solidez afetiva. Não precisamos deixar de lado alguém importante para nós porque a relação nova demanda mais atenção. Fazer com que essa dinâmica funcione é trabalhoso e exige muita sensibilidade de todos. Ser poliamorista é muito bom, mas também não é fácil…

Essa é uma observação pessoal das minhas vivências. Cada relacionamento constrói suas regras e sua dinâmica. E isso também não é algo acabado. O bom é que temos a liberdade de conversar e modificar tudo, de acordo com o que vai chegando para nós. Com medo, porém o medo não nos imobiliza. Isso é que é o grande barato de tudo.