A volta à escrita e a treta de bi/pan

 

Oi, gente. A vida andou muito árdua e fui deixando de escrever. Continua tensa, mas tem tanta gente falando sobre isso, incentivando, às vezes de forma bem enfática, que fiquei confortável pra voltar a escrever, procurar pessoas pra colaboração e, enfim, falar de coisas interessantes no blog. Pelo menos de inicio, quero falar mais do “etc”, então estou voltando a um post meu no FB sobre a treta bi e pan. Essa treta é geralmente estimulada por pessoas q não são nem bi nem pan, então sempre acho meio esquisito.

Vamos lá.

Não aguento mais a treta bi x pan. Sério. Então estou postando aqui e vou copiar e colar pro resto dos meus dias. Quem mais estiver lendo, pode compartilhar à vontade, caso veja que o texto abarca o que você pensa e sente.

Uma nota importante pra situar o lugar de onde falo é que me identifico publicamente como bi, porque acredito na ressignificação como método para que a transgeneridade e a ideia de enxergar pessoas e não genitais sejam acolhidas por uma nomenclatura que tem um tiquinho de visibilidade. Em alguns contextos, me apresento como bi/pan. Dito isto, segue a forma como vejo a diferenciação:

A diferença é mais política do que prática.

A pessoa bi sente atração por pessoas do mesmo gênero e por pessoas de outros gêneros. Essa é a ressignificação q a militância bi propõe, pq abarca as pessoas trans e se mantém um termo já conhecido (porcamente conhecido, mas é mais conhecido do q pan).

A pessoa pan se atrai pelas pessoas independente do gênero. Quem se identifica como pan geralmente quer deixar essa questão de se atrair por pessoas trans bem clara e acredita ser melhor usar um termo menos carregado d significados binaristas do q bissexual.

Tanto são termos q não se excluem q muita gente se identifica e descreve como “bi/pan”.

Nenhum termo exclui pessoas trans. Quem exclui é gente transfóbica.

As únicas tretas que acho bem tristes são quando envolve uma pessoa pan se dizendo superior ou mais evoluída do que gente bi e gente bi que diz na maior cara de pau que pan se relaciona sexualmente com qualquer criatura que apareça pela frente, lembrando a parada do copo e coisas do tipo. Quando se fala sobre pan acolher pessoas trans e bi não acolher, geralmente são pessoas cis que falam isso. Essas pessoas nunca perguntam às pessoas trans se elas se sentem contempladas com o termo “bissexual”. Eu mesma sou trans e, como disse antes, costumo falar de mim como bissexual, estou mais próxima da militância bissexual. Tenho várias pessoas conhecidas que pensam da mesma forma que eu e é muito frustrante o silenciamento das nossas vozes quando a questão é sobre transgeneridade.

A gente tem muito mais questões em comum do que diferentes. Vamos dar as mãos pq a luta fica menos árdua com mais gente boa nas trincheiras.

Enormes abraços

PS: por favor, deem feedback sobre o retorno, sugestões de temas e coisas do tipo. <3

Sobre elitismo no poliamor

Elitismo é uma forma de preconceito institucionalizado muito sorrateira. Ele está nas músicas que você precisa conhecer, no lugar onde você tem que comer, nos shows e festas que você não pode perder. Como não estaria, então, nas formas como você deve se relacionar?

A partir do momento em que estão instauradas culturas de maior prestígio social, outras manifestações culturais são exotificadas ou mesmo deslegitimadas. Para dar um exemplo simples, vou falar de música no Rio de Janeiro: quem escuta MPB, jazz, blues, têm mais prestígio e podem falar abertamente do quanto tal música é profunda, interessante, magnífica; quem escuta charme, funk ou pagode jamais pode emitir meia opinião musical sobre algo, em nenhuma esfera de conhecimento, vide a repercussão de quando um professor ousou colocar Valeska em uma prova. Guardemos essa informação.

Nasci e cresci ali no Morro do Juramento, subúrbio do Rio. Ali geral me conhecia, sabia quem eram meus pais, meu irmão, meus avós. Moleque de colégio não vinha de graça pra mim, eu era “bróder” na parada. Isso que hoje chamam de “funk das antigas” foi o que escutei e era o que tocava nas festas dos amiguinhos. Pois bem, na época, por eu ter dificuldade em manter o foco e concentração, minha mãe sabiamente me colocou no ballet, onde passei bem uns 8 anos? Não vou lembrar agora.

Mudei de lugar, de colégio, funk não era tolerado. Toda a minha carga cultural até ali valia um grande nada. Além de tudo da escola, eu tinha que passar por uma “reeducação social”. Aumentando grau de escolaridade, mais conhecimentos gerais eu tinha, mas aqueles da infância/adolescência tinham que ficar escondidos em algum cantinho.

Há uns 3 meses fui me inscrever para fazer dança do ventre. Não segui porque uma lesão antiga em um tendão atrapalhava muito. Dança do ventre é glamurizada, vista como linda, exótica. O que tem vários movimentos em comum e facilitou tantos outros? Isso mesmo, meus amigos, o Funk.

Mas como poderia o elitismo influenciar no poliamor, na prática poliamorista? A informação ainda circula de maneira muito restrita, ou seja, essa ética que defendemos nos relacionamentos com outras pessoas está restrita a uma elite que tem acesso a informações específicas.

A monogamia nunca funcionou nas zonas periféricas, nelas o homem é incentivado e exaltado por relacionamentos paralelos, no estilo “quanto mais melhor”. O homem não sofre com a monogamia, porque é socialmente aceito que ele traia a mulher com quem se relaciona. A mulher é quem fica presa na relação e, quanto mais desprivilegiada, piores são as pressões e julgamentos sobre ela.

É neste ponto em que poliamor tem que se aliar ao feminismo. É aí que se pode mudar, empoderando as mulheres mais desprivilegiadas e, apenas a partir disso, a mulher pode optar por quais acordos as fazem bem.

Há, ainda, duas reflexões possíveis a partir do que foi dito até aqui: críticas à monogamia e críticas ao elitismo do poliamor.

A monogamia não é apresentada como uma opção dentre outras possíveis para estabelecer um relacionamento. Isso se chama mononormatividade, ou seja, é a norma que impõe a monogamia e silencia outras possibilidades. O problema não pode ser a monogamia em si, o problema é a falta de acesso a outras formas de relacionamento, ou mesmo uma mudança na monogamia em que esta deixe de ser necessariamente opressora. É uma questão importante para o feminismo empoderar as mulheres, deve ser questão poliamorista facilitar o acesso a informações.

Há textos que dizem que o poliamor é elitista. Concordo. Hoje, o poliamor só é possível para pessoas de certos nichos culturais. Estamos distantes dos subúrbios, das periferias, dos interiores. De forma alguma devemos nos acomodar nesta posição. É necessário produzir material, compartilhar opiniões, escrever mais, conversar mais. É preciso fazer as informações circularem, chegarem nas pessoas dos subúrbios, periferias, nas cidades de interior.

ajuda

Divulgação – Poliamor e Direito das Famílias

No último post, Rafael postou um comentário divulgando seu livro recém-lançado. Não, não tenho um exemplar e mesmo que tivesse acharia difícil avaliar juridicamente o conteúdo, porque não sou jurista (inclusive fica aí o convite pra quem estiver lendo e queira mandar uma resenha, análise ou opinião sobre o livro). No entanto, acredito que valha a divulgação de seu trabalho, não somente pela temática, mas porque, pelo que vi do release, pode interessar a muitas pessoas que nos acompanham, são juristas e procuram saber mais de como anda o assunto, tanto para conhecimento próprio quanto para eventualmente usar na prática. Segue o release enviado pelo autor.

O livro tem como principal propósito o reconhecimento jurídico das famílias decorrentes das relações de poliamor, as quais, em geral, não têm a proteção devida, dando origem à insegurança e à negação de direitos. Traz como premissa uma identificação inicial dos fundamentos desse reconhecimento, tendo como principais objetivos a caracterização do poliamor como uma identidade relacional capaz de dar origem a famílias e a desconstrução da obrigatoriedade da monogamia como único modo de constituir família.

Além disso, sugere-se o reconhecimento jurídico das relações de poliamor pela sua sintonia com:

  • a dignidade da pessoa humana,
  • a liberdade nas relações familiares,
  • a solidariedade familiar,
  • a igualdade,
  • a afetividade,
  • a especial proteção que o Direito reserva à família,
  • a noção de pluralidade no âmbito das entidades familiares e
  • as limitações impostas ao Estado em sua atuação perante a família.

 

Por fim, chega-se à conclusão de que o poliamor é uma identidade relacional capaz de dar origem a uma ou várias famílias, constituindo uniões estáveis e matrimônios, de modo que o Estado deve garantir a mesma proteção tanto para a família monogâmica quanto para a família poliamorosa.

unnamed

Sobre compersão

Voltando a falar um pouco de conceitos gerais, venho maturando esse texto na minha cabeça há algum tempo. Compersão não é simples explicar, não é um conceito de que se fale tanto assim, não é dicionarizado – mesmo dicionários não correspondendo aos usos efetivos dos termos, é algum ponto de partida. Enfim, não há muito material que possa servir de referência.

Tentando começar a conceituar compersão, defendo que é o sentimento positivo que um sujeito vivencia quando as demais pessoas em um relacionamento poliamorista se sentem bem; é uma forma de empatia muito específica.

Formular pode não ter sido tão difícil, mas se permitir esse sentimento e deixar que ele aflore na prática é. Isso, como tantas outras amarras que ainda nos prendem, se liga à mononormatividade, aquele mosquitinho dando rasantes nos nossos ouvidos dizendo que podemos perder o amor da outra pessoa caso ela se apaixone também por outra. Como qualquer normatividade, é difícil escapar dela, mas a gente vai tentando.

natalia totta 5

Imagem de Natalia Totta

Além de dizer o que é compersão, é importante dizer o que não é, porque há muita confusão sobre o termo e sobre o sentimento em si, então:

– não é o contrário de ciúmes, é outro sentimento que pode coexistir com os ciúmes. Quando se passa a ser poliamorista, caso se tenha ciúmes e inseguranças, é fundamental perceber e pontuar quando acontece e os motivos. Eu, por exemplo, me incomodo quando usam o mesmo apelidinho pra mim e pra outras pessoas. É uma coisa pequena e fácil de contornar. Também é uma forma de querer algo “exclusivo” e sei que tem uma relação com ciúmes. No entanto, isso não impede que eu ache lindo quando as pessoas com quem me relaciono se apaixonam por outras pessoas e vivem relacionamentos com elas;

– não significa amar menos ninguém, é um sentimento muito positivo ligado a amar tanto e querer ver a outra pessoa tão feliz que a felicidade dela transborda para você. É uma forma profunda de empatia com as outras pessoas;

– não significa desleixo ou não se importar com as outras pessoas. Significa se importar sem posse, se dispor a sentir junto, para bem ou para mal. Como acabei de dizer, é uma empatia profunda, passível de acontecer apenas quando as pessoas estão envolvidas a ponto de a felicidade para uma ser também a felicidade das demais.

As formas de lidar com a compersão ou a momentânea ausência dela (porque acho que toda pessoa poli em algum momento desenvolve, de alguma forma) são variadíssimas e dependem muito das pessoas em si, como elas são, se seguem caminhos mais racionais ou mais emotivos, se precisam se recolher pra lidar com os sentimentos ou lidam conforme acontecem. Da minha experiência ao longo desses anos como poliamorista, é um sentimento que surge em algum momento – não saberia e nem acho que seja algo absoluto precisar o que faz surgir – e o importante é deixar que ele cresça e se desenvolva. No fundo, é se desprender mais um tanto da mononormatividade.

Chamada – série documental

Atenção, poliamoristas. Um grupo de documentaristas está desenvolvendo uma série e está procurando pessoas interessadas em participar. Eu pessoalmente conheci parte da equipe responsável e achei o projeto interessantíssimo, então estou avaliando a ideia de participar. Pra quem não tiver entraves como questões profissionais, familiares etc., recomendo muito a participação. Como dado adicional, acho importante dizer que a Julia, que faz parte da equipe, fez o TCC sobre poliamor e fui sujeito de pesquisa. Foi tudo ótimo, tanto na conversa quanto nas análises que ela fez. Segue um breve resumo (dado pela própria Julia) da ideia geral e dados de contato.

let love happen
A pesquisa é sobre formas de relacionamento afetivo não monogâmicas para uma série de televisão que será exibida na GNT. A direção fica por conta do João Jardim, que fez alguns filmes como “Janela da alma”, “Pro dia nascer feliz”, “Getúlio”, entre outros. Atualmente ele está com uma série, também na GNT, que se chama “família é família”. Estamos procurando por pessoas que tenham interesse em participar do projeto contando suas histórias. A intenção é achar vivências que ilustrem situações que mostram que as pessoas que vivem desse modo diferente do que a sociedade entende por normal são pessoas comuns, que apenas se relacionam de outras maneiras. vivem, trabalham, comem, dormem, etc. como qualquer outra pessoa. Queremos fazer um programa sensível, que retrate essas questões de forma positiva, e não como curiosidade ou bizarrice. É um programa fundamentalmente sobre amor e afeto que ajude a retirar o estigma social que recai sobre as pessoas que escolhem viver de diferentes modos.

Contatos:

(21) 7843 8596

juzylber@gmail.com

https://www.facebook.com/julia.zylbersztajn

Dia da visibilidade bissexual: sobre sistemas de manutenção de preconceitos e opressão

Hoje é dia da visibilidade bissexual e membros da comunidade bi acordaram de fazer uma blogagem coletiva sobre o tema, como forma de tentar efetivamente construir uma rede maior e mais diversificada de textos bem informados sobre o tema. Como uma parte considerável da divulgação e conversas sobre poliamor está ligada à sexualidade, nada mais justo do que participarmos também. Ano passado, escrevi esse texto no dia da visibilidade lésbica e bi, mas felizmente o cenário vem mudando e cada vez mais nosso próprio dia de visibilidade pode ser destacado.

Acredito que a opressão que nos é imposta e sua manutenção venha principalmente de três fontes: a heteronormatividade, o monossexismo e a mononormatividade – nessa ordem. É claro que nem toda pessoa heterossexual, monossexual ou monogâmica perpetua preconceitos. Quando falamos de normatividades e sexismos estamos falando de sistemas, de formas institucionalizadas de opressão e preconceito.

A heteronormatividade afeta toda pessoa que não seja heterossexual, então é algo combatido pelo movimento ALGBTI – ou LGBT, ou LGBTT ou ALGBTQ, já que não temos uma sigla estabilizada como GLS foi por muito tempo – como um todo. Trata-se de um sistema de opressão que dita que todas as pessoas deveriam ser heterossexuais. Aquelas que não são – que estão fora dessa “norma” – são doentes, aberrações… de alguma forma, estão erradas e não deveriam existir. Daí vêm a maior parte dos discursos bifóbicos, homofóbicos, lesbofóbicos e todo o ódio carregado contra quem não é heterossexual.

As comunidades G e L se organizaram, se tornaram mais visíveis e até respeitadas – apesar dos casos terríveis de homofobia e lesbofobia que vemos; chegamos a vê-los porque a comunidade é mais organizada e denuncia, faz reverberar de forma muito eficiente qualquer caso desse tipo. No entanto, é por parte desses grupos que sofremos uma parcela enorme de bifobia. Isso acontece por conta do monossexismo, que é uma forma de perpetuação de preconceitos, ditando que cada pessoa só deve sentir atração por pessoas de um gênero, seja o mesmo ou o outro; ou seja, ou a pessoa é heterossexual, ou gay ou lésbica. Além de altamente binarista no que diz respeito às identidades de gênero, essa lógica exclui e apaga pessoas bissexuais e pansexuais, seja de forma sutil, como não nos citando entre os grupos que sofrem discursos heteronormativos de ódio, seja abertamente reproduzindo falas como “bissexual não sabe o que quer”, “é uma fase”, “bissexual é uma pessoa indecisa” e incontáveis outras frases ofensivas (incontáveis mesmo… quando você acha que já ouviu de tudo brota uma nova).

Um dos grandes preconceitos sobre bissexuais é de que somos pessoas incapazes de nos mantermos fiéis em uma relação monogâmica. Além de ser uma afirmação falsa, uma vez que a orientação sexual de uma pessoa não está ligada ao caráter dela e nós não somos criaturas guiadas apenas pelo desejo sexual (que é uma fetichização da pessoa bi, aliás), ela é, sim, mononormativa. Ela só é viável e tão propagada porque vivemos em uma sociedade que abomina qualquer outra forma de relacionamento que não seja a monogamia. Dessa forma, o conceito de fidelidade tem uma força enorme e o preconceito citado no começo desse parágrafo assusta as pessoas que pensam em se relacionar com bissexuais. Se não houvesse a mononormatividade, mesmo com esse tipo de discurso circulando, ele talvez não fosse problematizado, porque não estaria entranhada da cabeça das pessoas a ideia de que os relacionamentos têm que ser monogâmicos.

Por fim, o que vemos são essas estruturas construindo e mantendo discursos de opressão que elas mesmas silenciam. Ou seja, quando há um discurso bifóbico, dificilmente a reação/resposta a ele circula com a mesma força ou com força suficiente para combatê-lo. Por isso é importante a organização da comunidade; por isso há um esforço coletivo de conscientização e sensibilização das pessoas para as questões bissexuais; por isso há esse texto.

Vou listando, à medida que for encontrando, outros textos da blogagem coletiva. Para informações mais abrangentes, já deixo a recomendação pro bi-sides, site que trata das diversas questões bi, divulga eventos, de uma forma muito clara e didática.

Vídeo disponível em: http://youtu.be/RhTg9D8Ee9c

Texto no Blogueiras Feministas

Texto no Biscate Social Club

Texto no Na TV

Poema no Palavra com B

Texto no Entendidas, Encontros em SP

Texto em Um Pote de Ouro

Texto em Mídia pra Quem?

Texto do Coletivo Bil

Texto em I Don’t Mind the War

Texto em Dias a Duas

Texto em Inspiração Política e Literária

Duvulgando: Carta Aberta à ERC, Ordem dos Médicos, Associação CASA e canal MVM

 

Para quem não acompanhou nos grupos sobre Poliamor no último mês, houve em Portugal um programa contendo afirmações extremamente preconceituosas sobre poliamoristas e a própria prática do Poliamor em si. Com base nisso, o grupo PolyPortugal se organizou junto a outros grupos e redigiu a carta aberta que divulgamos a seguir. Por que isso nos importa? Primeiramente, por uma questão de solidariedade com outros grupos de poliamoristas; segundo, porque pode, efetivamente, nos atingir, uma vez que é um discurso de “autoridade” que, mesmo baseando-se no vento pode eventualmente se voltar contra nós. O grupo Poliamor-BA é signatário da carta e, dado que os autores atuais do blog são deste grupo e era importante ter um link, colocamos o daqui mesmo.Todas as pessoas interessadas podem individualmente assinar a carta, conforme o link abaixo.

Carta Aberta à ERC, Ordem dos Médicos, Associação CASA e canal MVM

Originalmente publicado por PolyPortugal

SUBSCREVA ESTA CARTA ABERTA SEGUINDO ESTE LINK.

Considerando…

Que Manuel Damas se apresentou, no passado dia 16/07/2014, no seu programa “Sexualidades, Afectos e Máscaras”, nº. 31, transmitido no canal MVM, das 21:30 às 22:30, enquanto médico e enquanto sexólogo e que, a partir dessa posição, o mesmo fez afirmações que a) não apresentam sustentação científica ou são contra o state of the art científico que lhes diz respeito, b) são redutoras e patologizantes de uma minoria, aproximando-se do discurso de ódio, c) envolveram o apelo à auto-mutilação e, potencialmente, ao suicídio, contra os códigos deontológicos vigentes, tanto médico como para a Comunicação Social; apresentamos abaixo uma descrição detalhada dos eventos perante os quais vimos apresentar queixa pública:

  • Afirmou, à revelia do Manual para os Mídia sobre Prevenção do Suicídio publicado pela Organização Mundial de Saúde, à revelia do Código Deontológico da Ordem dos Médicos Portuguesa (no seu artigo 57º), e à revelia do Protocolo de Cooperação celebrado no presente mês entre a Entidade Reguladora para a Comunicação Social e o Plano Nacional para a Saúde Mental, Manuel Damas apresentou como alternativa a estar numa relação poliamorosa, “vamos cortar os pulsos, como nos filmes […], cortar na longitudinal”, acompanhando esta afirmação de mimética de auto-mutilação e tentativa de suicídio;
  • Afirmou que o poliamor é um caso de “prostituição emocional” e que se trata de “prostituir os afectos”, empregando assim termos relativos ao trabalho sexual como insulto ou comparação pejorativa, que vão contra o trabalho feito na área do trabalho sexual realizado pela Associação CASA, da qual é Presidente da Direcção;
  • Afirmou, contra a investigação de ponta feita na área, que é impossível amar mais do que uma pessoa ao mesmo tempo;
  • Afirmou que as relações poliamorosas se baseiam todas, inevitavelmente, na exploração psico-emocional de pessoas com problemas clínicos de auto-estima e de dependência afectiva;
  • Afirmou que as relações poliamorosas são comparáveis a seitas religiosas radicais norte-americanas;
  • Afirmou que o facto de o número de poliamorosos auto-identificados ser relativamente pequeno (sendo que o número apresentado não corresponde sequer à realidade) era algo importante “para a estabilidade interna da população portuguesa”, já que o poliamor “faz mal à população”;
  • Afirmou que as pessoas poliamorosas são, pelo mero facto de estarem em relações poliamorosas, criminosas;
  • Afirmou que pessoas do sexo e género feminino que estejam em relações poliamorosas são “servas”, fazem parte de um “harém”, e que o facto de nelas estarem levanta dúvidas sobre se estão “no perfeito juízo e na posse das capacidades de análise”;
  • Afirmou que “a poligamia é mais decente” ao mesmo tempo que se afirmou um “verdadeiro defensor da igualdade de género”;
  • Afirmou que “não contribui para este peditório”, referindo-se a considerar, profissionalmente, o poliamor como algo válido e passível de fornecer experiências tão saudáveis quanto uma relação monogâmica, mas foi Padrinho da Marcha do Orgulho LGBT do Porto de 2009 (em que o grupo PolyPortugal fez parte da Comissão Organizadora), cujo Manifesto aborda explicitamente a existência de “relacionamentos amorosos responsáveis entre mais de duas pessoas”, demonstrando assim que ele já esteve, noutra ocasião, em movimentos que apoiam relações poliamorosas;

Vimos por este meio…

Exigir que as várias instituições directa ou indirectamente envolvidas na ocorrência ajam de acordo com os seus princípios e, acima disso, com o que se encontra legalmente e deontologicamente estipulado a nível nacional e internacional.

Para esse fim, vimos por este meio formalmente apresentar queixa e requerer:

  • Que a Entidade Reguladora para a Comunicação Social averigue as ocorrências relatadas, intervindo em conformidade com as suas próprias directivas junto do canal MVM;
  • Que a Ordem dos Médicos averigue as ocorrências relatadas, intervindo em conformidade com as suas próprias directivas, junto do seu membro, Manuel Damas;
  • Que a Associação CASA, envolvida na produção do dito programa, se posicione publicamente face ao sucedido;
  • Que a Associação CASA, face ao exposto acima, apresente um pedido público de desculpas aos vários grupos e colectivos afectados;
  • Que a Associação CASA afaste o seu Presidente da Direcção, Manuel Damas, por crassa violação dos objectivos da mesma Associação, nomeadamente da “Universalidade do Direito à Felicidade” e da “vivência em plenitude dos Afectos, sem tabus nem estereótipos”;
  • Que o canal MVM, face ao exposto acima, apresente um pedido público de desculpas aos vários grupos e colectivos afectados;
  • Que o canal MVM garanta aos vários grupos e colectivos afectados, nomeadamente mas não limitado ao grupo PolyPortugal, o exercício do Direito de Resposta, tal como se encontra previsto na Lei de Imprensa;
  • Que o canal MVM se comprometa a emitir em condições semelhantes uma entrevista ou série de entrevistas a profissionais com a devida qualificação para apresentar diferentes visões, cientificamente fundamentadas, do tema.

As organizações signatárias

PolyPortugal

ActiBistas – Colectivo pela Visibilidade Bissexual

Bichas Cobardes

Braga Fora do Armário

Clube Safo – Associação de Defesa dos Direitos das Lésbicas

GTP – Grupo Transexual Portugal

Não Te Prives – Grupo de Defesa dos Direitos Sexuais

Panteras Rosa – Frente de Combate à LesBiGay Transfobia

Poliamor – BA (Bahia – Brasil)

PortugalGay.pt

PortoGay

AEESMAE

SUBSCREVA ESTA CARTA ABERTA SEGUINDO ESTE LINK.

Diversidade sexual, poliamor e unicornização

Muita gente pensa que qualquer pessoa que não é monogâmica também não é heterossexual. Isso não é verdade e vem do preconceito de que bissexuais, lésbicas e homens gays não podem ser fiéis. Isso vem da bifobia, da lesbofobia, da homofobia.

10502266_659803570771311_6619039824702157016_n

Embora não haja regra pra ser poliamorista, as pessoas são, em geral, tolerantes e livres de preconceitos – quer dizer, todo mundo comete uns deslizes, afinal ninguém se aparta da sociedade em que vive.

Vou tocar aqui na parte em que dói, em que vejo poliamoristas escorregando mais e reverberando opressões: quando há pessoas bissexuais envolvidas. Quando falo de bissexuais, estou me remetendo ao amplo espectro que existe fora da monossexualidade (que é a atração por pessoas de apenas um gênero). Para deixar mais claro, estou me referindo ao Bisexual Umbrella, que você encontra aqui traduzido.

A opressão mais conhecida e praticada por muitos casais que se consideram poliamoristas é a busca por um “unicórnio”, que é a mulher bissexual que se sinta atraída pelo casal, mas que fica longe de qualquer porção de convívio social do casal em questão, porque o casal tem uma vida própria, eventos em família, com amigos, às vezes com filhos. O termo “unicórnio” vem justamente da ideia de caçar algo raro (a mulher bissexual que se sujeite a esses termos de relacionamento), que vai ficar de souvenir, para pura apreciação de quem a “possui”. A “unicornização” é, então, o processo de busca ou de submissão da mulher a tais condições.

uni

Isso é opressão. É opressão de gênero, porque é feita com a mulher, vista como objeto de prazer para o casal; é opressão de orientação sexual, porque a pessoa que não é monossexual é vista sempre como uma possível “presa”, alguém que pode aceitar se relacionar nessa condição de marginalização dentro do relacionamento.

Isso não quer dizer que toda tríade/trisal funciona dessa forma. Há pessoas que se relacionam a três (ou mais) e todas participam da vida social das demais, sem exclusão, sem opressão. Se formos pensar que queremos visibilidade, respeito e tolerância das pessoas, nos escondermos e escondermos quem amamos não faz muito sentido.

triad

 (Anthony, Lindsay e Vanessa, que participaram da primeira temporada do Reality Show Poliamory: Married and Dating e mostraram um exemplo de como funciona uma tríade com um homem e duas mulheres em que todos participam da vida de todos; btw, AMO a camisa do Anthony nessa foto!)

As coisas complicadas do Poliamor, ou pra quem está se adaptando…

Por Trisklen.

Uma coisa é você, logo no início da sua vida amorosa, se identificar como poli. Outra coisa é, depois de 20 anos de vida monogâmica, com filhos, casa, cachorro (no meu caso, gatos), você resolver mudar sua filosofia de vida. São muitas coisas a adaptar. De início, a própria cabeça da gente dá um nó, porque você aprende na sociedade patriarcal que é errado amar/ “se relacionar” com duas pessoas, pelo menos abertamente, porque por debaixo dos panos isso é uma prática de grande parte dos monos.

Segundo, vem a questão de encontrar alguém. Você tem família, não dá pra se relacionar com alguém que não entenda/respeite isso. As coisas de início precisam ficar um pouco em “stand-by”, até as pessoas que fazem parte do círculo familiar entenderem/aceitarem. Isso demanda paciência dos envolvidos na relação poli. E às vezes a ânsia de viver plenamente a relação arruína tudo.

Muitas vezes também você se engana, a pessoa que você encontra se identifica como poli, mas seu comportamento no dia-a-dia mostra o contrário, e lá vamos nós de novo, na busca…

Eu ainda estou na primeira etapa, ainda bem, encontrei uma pessoa legal, que também está aprendendo que nem eu e meu companheiro de vida. Mas não são poucas as confusões e estresses que passamos na adaptação ao relacionamento.

O mais difícil para mim tem sido praticar o desprendimento. Tenho uma relação muito boa com meu companheiro de vida, nós fazemos quase tudo juntos, e trocamos ideias sobre tudo. Então, quando esse novo companheiro, que é um amigo de longa data, chegou para compartilhar uma relação poliamorosa comigo, tive a tendência a querer repetir esse modelo. Imaginem como isso é complicado. Depois fui vendo que é algo impossível. Alguns motivos:

  1. São pessoas diferentes, não tem como repetir a relação de maneira igual.
  2. Os estilos de vida, a rotina, as outras relações que ele tem não me permitem participar tanto assim da vida dele como gostaria.
  3. Ele vem de relacionamento aberto, tinha outro modo de enxergar essas relações, e está se adaptando. Eu venho de uma relação mono. Já viu o problema, né?

Para exemplificar essa coisa do desprendimento: semana passada estivemos às voltas com uma situação ocorrida. Esse meu segundo companheiro, além de manter três relacionamentos mais comprometidos (eu e mais duas), tem umas amigas com quem mantém relações afetivo-sexuais. Tinha pedido a ele para não incluir pessoas novas nesse círculo sem que eu participasse do processo, porque minha adaptação a esse estilo de vida será melhor se me sentir incluída, além de que manifestei a vontade de conhecer as amigas dele. Conversamos e acertamos isso. Mas no meio da semana ele me fala que saiu com uma amiga e “rolou a transa”, sendo que ele nunca tinha transado com essa amiga.

Depois de muitas farpas, quebra-pau via e-mail, e “usar de tanta educação para destilar terceiras intenções”, percebemos que o que houve foi uma falha na comunicação, que acabou mexendo com minha insegurança e falta de desprendimento, porque como não estava esperando, me senti ameaçada, e algo completamente irracional me dá um alarme que posso perder meu companheiro para essa fulana nova. Tudo muito irracional mesmo, eu admito.

Ainda não entendo o que aconteceu comigo, mas fiquei meio tristinha, porque, como sempre, acredito que não posso ter determinadas reações se me disponho a viver poliamorosamente.

Sou terrível comigo mesma, me cobro demais, e também cobro dos outros. Meu segundo companheiro me confessou essa semana que sou muito exigente com ele, eu fiquei meio sem graça. Fui perguntar a meu companheiro de vida, que não me disse nada, mas deu uma risadinha, que já disse tudo.

O bom de ter outra pessoa é que, como é alguém novo, que não te conhece na intimidade nem você o conhece, é uma aprendizagem tanto de si quanto de como lidar com o outro e as situações que vão acontecendo. Isso é muito bom, porque numa relação de 20 anos, nos acostumamos e adaptamos, então já nem vemos defeitos como defeitos, ou qualidades também não se destacam tanto como quando você está num relacionamento recente.

Estou aprendendo a enxergar minha ansiedade, meu nível de exigência, meu sentimento de posse, minhas inseguranças… Tudo isso é bom, apesar de ser um processo que causa certo sofrimento. A experiência é impagável, e pretendo continuar, mesmo tendo uns “pega-pra-capar” de vez em quando…

Sobre preconceitos I

Que poliamoristas sofrem preconceito não é novidade, principalmente por parte de praticantes da monogamia. Alguns são respeitosos e entendem que a forma como eu me relaciono é somente da minha conta. No entanto, há aqueles que não entendem, não “aceitam” (como se precisássemos de aprovação para existir) e ainda por cima julgam as outras pessoas.

Até hoje eu tinha esbarrado em textos equivocados, mas muitas vezes até bem intencionados, do tipo “existe isso, mas não é pra mim” ou os extremamente raivosos, fundamentados em religiões distintas, que simplesmente demonizavam. Contra esses últimos não tem como discutir, porque não são pessoas dispostas a ouvir, só se for a própria voz.

Em um dos grupos de poliamor de que participo no Facebook, apareceu esse texto. A pessoa que escreveu parecia que ia saber do que estava falando, parecia que teria feito a pesquisa mínima para postar um texto contra uma forma de relacionamento. Não fez. Percebendo isso, postei questionamentos e informações. O autor do texto apagou, inviabilizando qualquer diálogo, afastando-se de qualquer forma de conhecer o mínimo do que estava levianamente criticando. Dessa forma, me sinto compelida a escrever uma resposta mais detida, que não poderá ser apagada. Em itálico estão os dizeres do autor e em seguida vem minhas respostas. Espero sinceramente que este post ajude a combater preconceitos, informar melhor as pessoas e fazer com que elas reflitam um pouco sobre como seus preconceitos devem ser abandonados. 

Agora está surgindo a nova moda entre as pessoas, conhecida como Poliamor.
Poliamor é o “amor compartilhado” ou “amor múltiplo” onde os envolvidos amam (de todas as formas possíveis) mais de uma pessoa e tentam comparar esse amor carnal com o amor fraternal.

Os praticantes do Poliamor acham que o sentimento de amor por seus parceiros é o mesmo dividido desde nossa infância entre qualquer indivíduo e seus pais (ou irmãos), porém, tenho certeza que esses novos filósofos do amor nunca transaram com seus pais ou beijaram depravadamente seus irmãos. Portanto, estão totalmente errados e enganados em suas teorias.

Pra começar, não sei o que o autor entende por “agora”, mas a prática poliamorista não é nada recente. No máximo, é recente a sua divulgação mais ampla, propiciada justamente pelos grupos de divulgação, conhecimento e apoio. Além disso, uma outra forma de chamar poliamor é “não monogamia responsável”. As denominações “amor múltiplo” e “amor compartilhado” só aparecem nesse texto (uma busca rapidinha no Google mostra isso). O autor começa, então, inventando termos que já demonstram seu desconhecimento. Segue dizendo que poliamoristas acham que o que ele chama de “amor carnal” é o mesmo que se sente por pais e irmãos. Sério. De onde veio isso? Nunca li qualquer texto técnico ou relato dizendo isso. Desafio qualquer pessoa a me mostrar um texto assim.

Ao analisar os praticantes do Poliamor podemos perceber que são idealistas, confusos, desvalorizados e egoístas, do tipo: “se você me quer saiba que eu amo outra pessoa, as regras da relação são minhas, mas não se sinta preso à mim porque não há regras.”

As pessoas que praticam o Poliamor não se sentem preenchidas ou completas. Ambos precisam de mais de um parceiro para se sentir agraciado ou agradecido.
Todo ser humano é completo quando encontra alguém que lhe satisfaça, mas os praticantes do Poliamor não encontram valores em si mesmos, não se sentem satisfeitos consigo mesmos e precisam do máximo de atenção para se sentirem especiais.

Mais uma vez: desconhecimento. Pessoas idealistas, confusas, desvalorizadas e egoístas há em qualquer lugar, mas nunca ouvi um poliamorista dizer o que o autor afirma que pensamos. Tenho um exemplo concreto que é minha relação, que é só um exemplo dos muitos arranjos que o poliamor permite.

Continuando, o autor afirma que não nos sentimos preenchidos ou completos. Qualquer leitura básica de psicologia ou psicanálise vai defender que ninguém é completo. Essa ideia nem vem de hoje, vem desde a noção de “almas gêmeas”, que deveriam se encontrar. Muita gente mono acredita nisso. Polis não. Acreditamos que possa haver uma infinidade de pessoas compatíveis que podem se relacionar. A “completude do ser” não se coloca necessariamente como uma questão para o poliamor como um todo, pode se colocar para um indivíduo ou outro.

Destaco em particular essa última parte, em que se diz que o poliamorista não encontra valor em si mesmo, é insatisfeito consigo e precisa de atenção alheia. Isso vai contra absolutamente tudo o que já li sobre poliamor. O que é problema para nós, o que nos deixa insatisfeitos são o preconceito, a desinformação e a intolerância que textos como esse veiculam.

Imagem

Se mais de dois amantes vivem juntos devem ser como robôs ou se suportam apenas para convencer a si mesmos que estão certos em seus idealismos.
Qualquer um que conhece uma mulher de verdade sabe que ela não consegue admitir que outra pessoa esteja tomando seu espaço, principalmente se for outra mulher, assim como qualquer outro homem de verdade que não aceita ver a sua mulher sendo dominada por outro homem.

Não sei de onde o autor tirou a primeira frase. Mesmo que fosse verdade, quantos casais monogâmicos ficam juntos por causa de religião, de filhos, de causas em que acreditam e para provar que estão certos em seus idealismos? Mesmo que essa afirmação fosse verdadeira (não tenho notícia de que seja), não seria algo exclusivo do poliamor.

Além de tudo – e a parte que mais me dói –, esse texto é altamente sexista. O que é ser “mulher de verdade”? É sentir posse? É ser ciumenta? E ser homem de verdade? É ser controlador? É dominar? Se é isso, eu não quero ser uma mulher de verdade, porque possessividade e ciúmes não são sentimentos positivos, não quero ser dominada por ninguém e quero poder sentir as coisas boas que o poliamor me traz livremente.

Vamos cair na real. Os praticantes do Poliamor nada mais são do que adúlteros, fornicadores e amantes de si mesmos.
Os tempos estão se findando e cada vez vemos essas pessoas dando a minima para o que Deus pensa a respeito deles.
Até quando essas pessoas irão agir como se não temessem a condenação de serem lançados no inferno?

Existe uma grande diferença entre putaria e amor verdadeiro. Pensem nisso!

 

Vejamos, no começo do texto se diz que os poliamoristas não se amam, não se valorizam, mas aqui eles são “amantes de si mesmos”? Além disso, adultério é uma criação monogâmica, em que uma pessoa é substituída por outra em uma relação. Não acontece isso no poliamor, pois os acordos são justamente para que cada pessoa tenha seu papel específico nas relações. Uma pessoa não substitui a outra, isso não existe.

Eu ouço que os tempos estão se findando desde que eu nasci, então não sei se é bem por aí… Se o deus que o autor adora julga por etnia, identidade de gênero, orientação sexual ou forma de me relacionar e não a diferença maior que uma pessoa faz para as que estão ao seu redor, definitivamente não mereço e nem quero o amor desse deus. Tem um bocado de divindade por aí, se é que alguma existe, alguma vai me aceitar do jeitinho que eu sou.

Existe diferença entre amor verdadeiro e putaria? O conceito de “verdade” é algo discutido há tanto tempo e requer uma bibliografia tão extensa pra se começar a conversar sobre o tema que não cabe aqui. Mesmo nos restringindo a “amor” e “putaria”, qual é de fato a diferença? Onde se delineia isso? Sobretudo, quem delineia isso? O que tornaria “amor” superior à tal “putaria” além de um moralismo extremamente retrógrado? Eu acredito que cabe às pessoas envolvidas decidirem, não a mim, não ao autor do texto. Talvez a alguma divindade, mas tem tantas possíveis… “Pensem nisso”!

Se há algum erro no poliamor é só o seguinte:

Imagem